Especialista
aponta busca por segurança jurídica e prevenção de conflitos familiares
O
Brasil registrou 38.740 testamentos em 2025, o maior número já contabilizado no
país. Os dados são do Colégio Notarial do Brasil – Conselho
Federal (CNB/CF) e indicam crescimento de cerca de 21% nos últimos cinco
anos.
O
avanço revela uma mudança consistente no comportamento das famílias brasileiras
em relação ao planejamento patrimonial. Entre as possíveis razões, estão maior
conscientização sucessória após a pandemia, receio de disputas judiciais longas
e custosas, e a necessidade de dar segurança jurídica a arranjos familiares
cada vez mais diversos.
O
tema ganha ainda mais relevância diante da tramitação, na Câmara dos Deputados,
do Projeto de Lei 1072/25, que propõe impedir o reconhecimento de união
estável após o falecimento de um dos parceiros, exigindo formalização prévia
por escritura pública para produzir efeitos jurídicos.
Embora
a legislação assegure 50% do patrimônio aos herdeiros necessários, o testamento
permite que o titular organize a parte disponível de forma estratégica,
conferindo maior previsibilidade à sucessão e reduzindo conflitos.
O
aumento na procura pelo instrumento indica que o planejamento sucessório vem
deixando de ser tabu e passa a ser visto como medida preventiva para proteger
patrimônio e relações familiares.
Para
Tatiana Naumann, especialista em Direito das Famílias e Sucessões, o documento
vai além da simples divisão de bens. “O testamento é uma ferramenta de
organização e pacificação familiar”, afirma a especialista. “Ele não serve
apenas para excluir herdeiros, mas para garantir que a vontade do testador seja
respeitada dentro dos limites da lei, trazendo segurança jurídica e reduzindo
conflitos futuros.”
Fonte: Debate
Jurídico